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Juruti Amar (2008)

TEXTO ENCARTE

Em julho de 2007, estive pela primeira vez em Juruti, durante a festa das tribos onde me apresentei cantando no "Tribódromo" (local das apresentações das tribos). Lembrei-me então, de quando tempos atrás, em Oriximiná, havia encontrado um parente nascido em Juruti, que havia profetizado que um dia, eu alí estaria, conhecendo, cantando e voltando às minhas raízes. Hoje sei que tenho uma tia e outros parentes que vivem na cidade, o que me faz sentir um carinho muito especial por ela.

Já em Juruti, uma noite, ao sair em direção ao "tribodrómo", pude admirar a lua que brilhava por sobre o Rio Amazonas. Naquele momento, começou a nascer uma canção: JuritiAmar.

Em dezembro de 2007, voltei à cidade novamente para cantar no festival de música. Ao final de minha apresentação, o prefeito Henrique perguntou se eu não poderia incluir em meu novo CD uma canção do festival; o que foi aceito por mim. Pensando em algo maior, mais expressivo e mais definitivo, sugeri então a ele, que a trilogia (eu, Mahrco e Lucinnha) poderia gravar um cd com canções que cantassem a cidade, o que muito o agradou. Tratamos dos detalhes e demos andamento à proposta. Recebemos então, nove canções de seus compositores, três de cada tribo (Munduruku e Muirapinima) e as três primeiras classificadas no Festival. Concluí a canção que estava criando para a cidade e fechamos o repertório.

Após as gravações concluídas, percebemos a importância desse momento em nossas histórias e agradecemos a todos, que concordaram e contribuíram para a produção do CD, por nos proporcionar a oportunidade de continuar cantando a Amazônia. Através dele sentimos mais uma vez a riqueza e a musicalidade de uma cidade à beira do Rio Amazonas, que na sua festa tribal canta a história, a raíz, a força, a identidade, a luta, a sobrevivência e amor de seu povo.

Eu, Mahrco Monteiro e Lucinnha Bastos estamos seguindo nossa missão de cantar nosso povo, aprendendo que "a força que vem das ruas" está em todo lugar. Vamos seguir cantando nossa aldeia, pois isso é que nos torna universais.

FAIXAS

 

1. JuritiAmar

(Nilson Chaves)

Eu juro, juro, juro, meu amor.

Eu juro, juro, juro te amar.

Prá sempre, meu amor, prá sempre,

Juruti, JurutiAmar.

 

Quando a lua por sobre o Amazonas

Iluminar minha cidade,

Eu entendo a minha paixão,

Se estou longe me dá saudade.

Caminhando pelas tuas ruas,

Eu relembro o teu passado,

Vou sonhando nas esquinas,

Com teu futuro iluminado,

É aqui que eu quero viver,

É assim que me sinto feliz,

Minha tribo é aqui,

Meu amor é assim, Juruti....

 

Eu juro, juro...... (refrão)

 

Quando as luzes brilharem na

Noite iluminando a cidade,

Nosso orgulho de sangue guerreiro, 

Nossas tribos dançando a história,

A raiz da nossa verdade.

Somos Munduruku, Muirapinima,

Cantos de liberdade.

Nosso orgulho de sangue guerreiro,

Faz a festa e o sonho invade

É aqui que eu quero viver,

É assim que eu me sinto feliz,

Minha tribo é aqui,

Meu amor é assim, Juruti…

 

2. Amazônia Eterna

(Sebastião Júnior/ Edvander Batista)

Chora, chora a Amazônia!.....Bis

Minha insígnia já não é mais sagrada

Homem branco quer tomar conta de tudo,

Minha maloca já não mais feita de palha

O que é verde tá se transformando em cinza

Urutau morreu queimado na tocaia,

Canindé virou prisioneira de caça,

O prenúncio da Amazónia é savana,

Se viver chorando e não ser preservada,

Minha seiva da vida.... Oh! Amazônia,

Berço de vida.

 

Mais de quinhentos anos não tenho sossego

Os meus pássaros solfejam o clamor,

Tribos gritam pela paz na Amazônia

 Semear a terra do semeador,

Curupira não resiste a tanta mágoa,

Cobra-grande tanta seca estorvou,

O prenúncio da Amazônia é savana,

Uirapuru, amiúde não cantou.

 

Cunhantã dos olhos do mundo,

És santuário, és nossa pátria,

Cunhantã dos olhos do mundo,

Somos teus filhos, és meu sustento,

Queremos viver.....

 

Munduruku, Yanomami, Saterê,

Kaiapó, Taulipang, Karajá,

Waimiri, Atroari, Kaxinauá,

Zoé-Poturu, Xavante, Araueté…

 

Festa Linda

(Irinel Albuquerque/ Aroldo Santarém)

Ô, ô, ô, ô

Sou Muirapinima

Sou guerreiro feliz torcedor,

De azul e vermelho, declaro meu amor.

Ver as bandeiras tremulando no ar.

Um canto de amor.

 

Vou mostrar a minha garra,ser o astro maior,

Ver a nação guerreira,

explodir de amor e paixão,

no som do meu tambor.

Vou explodir de alegria,

Em Juruti, vou brincar.

Sou índio guerreiro, indo para a guerra,

Um encanto tribal.

 

Eu vou cantar para o mundo ouvir,

Que eu sou guerreiro campeão,

Em Juruti vermelho e azul.

É a festa muirapinima.

3. Divina Esmeralda

( José Wilker Silva)

Acauã anunciou o alvorecer

Pôr--do-sol suspirou o entardecer,

Beija o rio tão lindo e dourado,

Sonho divino real encantado...Juruti.

Todo amor de curumim a desfrutar,

Beija-flor em teu paraíso revoar,

As lembranças na memória que ficou,

Teu barranco despencou, o teu céu chorou…

Triste olhar, tece flamejar,

O teu passado lindo e profundo,

 

Quanto querer, sonhar,

Do teu chão um segredo a desvendar

Tua riqueza linda e serena

Protegida pela natureza.

Coração brasileiro e sonhador,

Cobiçado e desejado é o teu valor…

Juruti.

Rubra terra, aquarela, nosso chão.

Brilha forte para o mundo tua nação,

Superar com toda fé e devoção,

A barreira do progresso,

lutar com amor.

 

4. Sonho Lindo

(Micóca)

Se um índio te pedir

Cante com ele que o canto.

Refrigera o peito aflito.

E ao som dele subir quero,

Invadir teu consciente,

Te mostrar que de repente,

Meu tributo pode ser também o teu

Sinta o meu prazer...

Que o teu prazer quero sentir

Quanto sentires-te a vontade

A tão angélica cidade,

Envolvida nesse amor,

O festival.

Eu vou te seguir

Te mergulhar num sonho lindo navegar

num labirinto onde encantado estão

contos e lendas

A fantasia, os sentimentos de um coração

O sol e a lua, e as estrelas iluminam e

energizam os caminhos

que nos une a esse ritual.

Evolução de pés no chão

A nação guerreira tinge a noite,

Com suas cores da paixão,

O passado no presente está,

E no futuro que meus filhos virão,

A minha tribo vermelha vai sempre encantar.

Gênio da arte, anjo da harmonia,

Sonho lindo, cores da paixão,

A minha tribo vermelha

Vai sempre sonhar azul,

um sonho lindo,

Vai sempre brilhar azul

Um sonho lindo,

Vai sempre cantar.

 

5. Juruti, Minha Raiz

(Jonas Silva)

Vem balançar na magia dessa festa,

se ouve ao longe o som do tambor,

luz, cor e fantasia, alegria e euforia,

vamos juntos, vem amor…

Vem brincar na tribo

fazer o povo se encontrar,

vem brincar de índio no meio da mata.

No toque do ritual,

um canto forte vai ecoar,

Na dança da pajelança que me envolve eu tô na dança,

Mundurukânia.

 

Sou, sou Munduruku,

Sou guerreiro, sou valente, sou Munduruku

Sobranceiro,feiticeiro, sou Munduruku

Quero ver minha galera

Cores vermelha e amarela,

Juruti minha raiz

Guerreiro Munduruku.

 

6. Juruti Menina

(José Lino/Edivaldo Lopes)

Mina, mina, eu sou Juruti mina.

Uma menina crescendo, crescendo,

crescendo, crescendo....

 

Precisando de um pai, de uma mãe,

talvez de um irmão, prá poder orientar

A sua educação.

Uma menina perdida, bem no meio

da Amazônia,

Com riquezas imensas, provocando

grande insônia,

Vem gente de todo lugar, querendo

até orientar, mas qual será seu futuro,

Que essa mina vai encontrar?

Será que vai crescer, ser feliz?

Será que vai virar meretriz?

Será que vai ter filhos e filhas?

E torná-los infelizes...

 

7. Festribal Real & Lendário

(Iézen Rocha)

Vem meu povo querido,

Vamos cantar, vamos viajar,

Pela aldeia sagrada,

De uma tribo a dançar.

 

Na dança da glória,numa evocação tribal,

De um espírito guerreiro,

Renascerá toda a raça, toda crença,

A coragem, a bravura paquicés,

Dos bravos guerreiros,

Eternos guerreiros

 

As raízes de um povo,

Festribal me fascina,

Juriti minha sina.

Verdadeiro recanto,

Onde lanço meu canto,

De onde vem a canção,

Mais uma vez campeão,

Que pulsará no imortal

Coração dos que cantam,

Eu sou Munduruku.


 

8. Lendária Amazônia

(Júnior Coelho)


Viajo nos teus rios Amazônia

Teus mistérios lendários a desvendar

Tu és a sobrevivência de um povo
É a voz do coração de um mundo novo

Sou a garantia do amor
Sou pétala da vida
Não sou lágrimas sofridas

Inspiração do índio amazônida
Chorei ao ver-te devastada
O verde a desbota

Em minhas lágrimas

Clamei sobre tuas águas
Vi o sofrer em cada dádiva
Amazônia

Amazônia minha vida

 

Amazônia, Minha Casa

Estrada minha, minha inspiração,

Onde o verde exalta o seu amor,

E a lua reflete nas águas…

És minha casa, onde a imaginação,

Faz de lendas realidades,

Curupira só quer desfrutar,

Do seu aconchego,

Cobra grande só quer deslizar,

Nas margens do rio Amazonas.

 

Vem pra Amazônia ser feliz,

Viver nesse mundo de lenda e magia,

Ver a lara cantar,

Tem curumim no terreiro a brincar,

Seu canto de amor pura poesia,

Cunhantã na floresta a dançar,

Onças, pássaros, tamanduás,

Lagos, rios e cachoeiras,

Nossa Amazônia só quer o seu amor,

Como uma flor, como um beija-flor,

És meu jasmim, só quero pra mim,

Brilhou no horizonte,

O futuro da nossa.... 

(Do nosso jardim).

 

Vozes: Nilson Chaves, Lucinha Bastos, Mahrco Monteiro