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A Força Que Vem das Ruas (2004)

FAIXAS 

 

AVENIDA NAZARÉ

 

1. A Benção

(Celso Viáfora)

A bênção o que bate lata no pelô
A bênção o que toca flauta no metrô
A bênção o tamborim mirim da beija-flor
E o velho bombardino do interior
A bênção quem primeiro batucou
Em algo oco por dentro
A bênção quem primeiro tirou música
Do sopro do vento
A bênção quem primeiro conseguiu
Resumir o sentimento
Na frase musical que pôs no ar

A bênção o que salga o couro do tambor
A bênção o que funde o ferro do agogô
A bênção o operário que faz o motor
Que move a polia que gira o lixador
A bênção o ajudante
Que afia a ponta do estilete
Para o artesão equilibrar
O sopro do clarinete
A bênção o carpinteiro
Que montou a perna do cavalete
Aonde o lutiê vai trabalhar

Oh! Bênção quem suou
Suou pro meu som soar...(Bis)

 

2. Templo

(Chico Cezar / Milton De Biase / Tata Fernandez)

Se você olha pra mim
Se me dá atenção
Eu me derreto suave
Neve no vulcão

Se você toca em mim
Alaúde emoção
Eu me desmancho suave
Nuvem no avião

Himalaia, imeneu
Esse homem nu sou eu
Olhos de contemplação

Inca, maia, pigmeu,
Minha tribo me perdeu
Quando entrei no templo da paixão

 

3. Círio No Exílio 

(Jamil Damous, Nilson Chaves)

Outubro, domingo
As folhas do outono caindo
No exílio de um país distante e frio
Me lembro que a essa hora
Vem vindo
Numa cidade longíqua do Brasil
Vem vindo
Vem vindo
A essa hora sob o sol do Equador
O andar, o andor, o ardor
De tanta gente
Na manhã quente
Tão diferente desta aqui

E sinto o frio
Como se estivesse ao sol daí
E como um hambúrguer
Com gosto de tucupi
E onde passas te saúdo
E aplaudo e é aqui
É mesmo por aqui
Que eu sei que passas
No asfalto negro da saudade
Nas avenidas de outra cidade
Eu sei que passas por aqui
Eu sei que passas por aqui

E vejo então que não te devo
A promessa que fiz
De estar aí em todo Círio
E ser feliz
Distante estou aqui
E hoje bem sei
Que não passas só em Belém
Passas aqui também
Passas por onde houver
Um filho teu
Todos os teus filhos
Os crentes e os ateus
Eu sei que passas por aqui
E quando passa
Que lindo

Senhora de Nazaré
Além de toda fé
Toda razão
Bem dentro do coração
Estás em mim e fim
Um sim dentro do não

 

4. Qualquer sonho

(Jorge Andrade, Nilson Chaves)

Você quer sonhar comigo
Será sonho proibido
Sonho louco varrido
Sonho real e irreal

Você quer um sonho colorido
Um sonho sem pé nem cabeça
Sonhos que logo acordando
Ainda se sonhe ou se esqueça

Sonhos que manchem o lençol
Flor, tomate, pólen
E que noite em delírio se perca
Ou aquele sonho viva
Em silêncio, em mormaço
Sem nevoa onde a gente
Sonhando abraçados, amanheça

Ou aquele sonho vivo
Em silêncio, em mormaço
Sem nevoa onde a gente
Sonhando abraçados... Amanheça

Qualquer sonho, qualquer beijo
Qualquer prazer, qualquer tempo
Qualquer tudo, vêm de você.

Qualquer sonho, qualquer filme
Qualquer cd... Qualquer noite
Qualquer luz... Vêm de você

Sonhos que manchem o lençol
Flor, tomate, pólen
E que noite em delírio se perca
Ou aquele sonho vivo
Em silêncio, em mormaço
Sem nevoa onde a gente
Sonhando abraçados, amanheça

Ou aquele sonho vivo
Em silêncio, em mormaço
Sem nevoa onde a gente
Sonhando abraçados, amanheça

Qualquer sonho, qualquer beijo
Qualquer prazer, qualquer tempo
Qualquer tudo, vêm de você
Qualquer sonho, qualquer filme
Qualquer cd.... Qualquer noite
Qualquer luz... Vem de você (2x)

 

5. Velhos Sonhos

(Mapyu, Nilson Chaves)

Coração quase vazio
Agora apenas velhos sonhos
Coisas que você não quis mais
Dizendo ser águas passadas
Que não voltam, que não voltam,
Que não voltam ao cais

Rios que levam podem trazer
Só os que partem podem voltar
E voltando repartir novos sonhos
Prazer, prazer, prazer

Coração quase vazio, canto às estrelas
Esperando que a lua te faça lembrar
Que o tempo sempre volta
Se a saudade em teus olhos brotar

Os velhos sonhos continuam no mesmo,
Continuam no mesmo, continuam no mesmo lugar

 

6. Cabelo Açaizal

(Joãozinho Gomes, Nilson Chaves)

No céu a flecha passa sideral
Em alta freqüência supersônica
Contrasta com o camelo no Nepal
A áurica interprice amazônica
Há pouco um sujeito atonal
Compôs uma sonata pra sinfônica
Que se acoplará ao carnaval
De forma tão espírita e orgânica

Espana o céu cabelo-açaizal
Estrelas caem num rio de água tônica
As tribos se agrupam pro sarau
diante de uma evolução atômica
Aos olhos da desordem mundial
Um boto com sua gaita harmônica
Escreve um sirimbó universal
Em partitura de canção canônica

No céu a flecha passa sideral
Silêncio, pois Iara está afônica
O índio faz amor com a vestal
Atrás de uma cabine telefônica
Ao olho de um satélite atual
Conectado à rede esterofônica
Está aberto o site intertribal
Da verdejante órbita amazônica

 

7. Olho de Boto

(Cristóvam Araújo, Nilson Chaves)

E tu ficastes serena
Nas entrelinhas dos sonhos
Nos escaninhos do riso
Olhando pra nós escondida
Com os teus olhos de rio

Viestes feito um gaiola
Engravidado de redes
Aportando nos trapiches
Do dia a dia e memória
Com os teus sonhos de rio

E ficastes defendida
Com todas as suas letras
Entre cartas e surpresas
Recírio, chuva e tristeza

Vês o peso da tua falta
Nas velas e barcos parados
Encalhados na saudade
De Val-de-cans ao Guamá

Porto de sal das lembranças
Das velhas palhas trançadas
Na rede de um outro riso
Às margens de outra cidade
Ah, os teus sonhos de rio!

Olho de boto
No fundo dos olhos
De toda a paisagem

 

8. Tarde Demais

(Não identificado)

Já não me lembro mais
Quanto tempo faz
Que você se foi
Você me deixou pra trás
Você não foi capaz
De pensar em nós dois

Agora você vai ver
Você vai se arrepender
E vai ser tarde demais
Quando você me deixou
Você nem se quer pensou
Não é assim que se faz

Você nem se quer pensou em mim
Você nem se quer pensou em nós
Você foi e entregou isto é o fim
Você só pensou em si

Ou ouououououou
Uuuuuuuuuuuuu
Ahammmmmmm

Mas agora que você está só
Você vem me procurar
Depois de tudo que aconteceu
Quem agora não quer mais sou eu

Ou ouououououou

 

9. Desassossego

(Nilson Chaves)

Quem te mandou me incendiar
De amor assim
Quem te enfiou nessa cabeça
Que amor tem fim
Quem sussurrou nosso destino
E se fini
Quem te diz vai me tirar
Do desassossego
Quem me diz vai me tirar
Do desassossego

Quem solfejou uma cantiga
E me ensinou sonhar
Cicatrizou nossas feridas
Aliviando a dor
Que por amor quase esquecido
Não se desesperou
Que me diz vem me tirar
Do desassossego
Quem me diz vem me tirar
Do desassossego

Iararará hey (Iararará hey)
Iararará hey (Iararará hey)

Quero sua risada mais gostosa.

 

10. Canção de Amor e Rio

(Sostenes)

Ela encantou minha praia
Ela acendeu o farol
Sentou no dorso da raia
Incendiou meu lençol
Areias do araguaia
Nossos corpos sob o sol
Lá nosso amor se atrapalha
Feito camurim no anzol

Ah! que cheiro cheiroso que ela tem
Ah! que gosto gostoso que ela tem
Ah! que olhinhos lindos
E a pele morena me lembra belém

Diz que é meu benzinho
Que eu sou teu bichinho
Confessa o que você quer de mim
Pra eu ti dar carinho
Ser que nem peixinho
Nadando teu riso de amor sem fim

 

11. Os Passa Vida

(Não identificada)

Quando o sol chegou, clareando o dia
Foi pra me socorrer, da noite que eu vinha
É que nessa cidade
Tudo ficou entre nós dois
Uma noite em claro
E o claro da noite vem depois
O que aperta o peito é o tempo e o cheiro
O amor é assim
Eu quis você pra mim, eu quis você pra mim

É que nessa cidade
As mangueiras falam sempre em ti
Na chuva da tarde, os passa vida
E é sempre assim
Eu te procurei, te achei em minha solidão
Oh. minha solidão, ai minha solidão

Peguei pra cantar
Na beira de rio meu coração
Mandei a saudade te buscar
Pra perto de mim.
Se eu debruçei
Por sobre o meu verso o violão
Um beijo no tempo segurei
E guardei pra você
Aqui

 

12. Tô Belém

(João Gomes, Nilson Chaves)

No meu faz calor
É sinal que vai chover
Hoje tô minha cidade
Esperando por você
Aproveite o im de tarde
Pra melhor me conhecer
No seu riso tem saudade
Minha gente quer te ver

Tô Ver-o-peso aberto
Cheio de coisas pra você
Um feirante encantado
Sempre pronto a lhe atender
Compre um poster do mercado
Para nunca me esquecer
Prove os pratos variados
Que ofereço pra vocÊ...

Hoje em mim é feriado
Na estação tudo é lazer
Dê um pulo nos teatros
E me ouça com prazer
Através dos meus cantores
Que me cantam como o quê
Falam muito dos amores
que tenho pra oferecer

Venha que o tempo tá lindo
Outro dia vai nascer
Essa noite é minha e sua
Amanhã quero te ver
Hoje tô minha cidade
Tô cuíra pra saber
Da tua felicidade
Tô Belém só pra você...(Bis)
Eu sou Mosqueiro, sou carimbó
Índio, muleque pararoara.
Círio de Nazaré,
Ilha do Marajó
Icoaraci, brega e marujada.
Sou Amazônia,
Eu sou re-pa
Sabor de fruta marajoara.
Mestre Pinduca, Rui, Waldemar.
Janelas para o rio
Sou pararoara...
Tô Belém só pra você...(Bis)

 

13. Sabor Açaí

(Nilson Chaves)

E pra quê tu foi plantado?
E pra quê tu foi plantada?
Pra invadir a nossa mesa
E abastar a nossa casa

Teu destino foi traçado
Pelas mãos da mãe do mato
Mãos prendadas de uma deusa
Mãos de toque abençoado

És a planta que alimenta
A paixão do nosso povo
Macho fêmea das touceiras
Onde Oxóssi faz seu posto

A mais magra das palmeiras
Mas mulher do sangue grosso
E homem do sangue vasto
Tu te entrega até o caroço

E tua fruta vai rolando
Para os nossos alguidares
E se entrega ao sacrifício
Fruta santa, fruta mártir

Tens o dom de seres muito
Onde muitos não têm nada
Uns te chamam açaizeiro
Outros te chamam juçara

Põe tapioca, põe farinha d'água
Põe açúcar, não põe nada
Ou me bebe como um suco
Que eu sou muito mais que um fruto

Sou sabor marajoara
Sou sabor marajoara
Sou sabor...

Põe tapioca, põe farinha d'água
Põe açúcar, não põe nada
Ou me bebe como um suco
Que eu sou muito mais que um fruto

Sou sabor marajoara
Sou sabor marajoara
Sou sabor...

Põe tapioca, põe farinha d'água
Põe açúcar, não põe nada
Ou me bebe como um suco
Que eu sou muito mais que um fruto

Sou sabor marajoara
Sou sabor marajoara
Sou sabor...

Põe tapioca, põe farinha d'água
Põe açúcar, não põe nada
Ou me bebe como um suco
Que eu sou muito mais que um fruto

Sou sabor marajoara
Sou sabor marajoara
Sou sabor...

Põe tapioca, põe farinha...

 

14. Tambor de Couro

(Ronaldo Silva)

Pro João Gomes eu mandei um verso antigo
Dizendo poeta é como chama acende
É lamparina no calendário das luzes
Outro azul que me ilumina
No Ver-da-gilva eu vi você saindo
Eu vi você sumindo pro irirí de vez...
De madrugada canta o galo anunciando
Que o dia já vem raiando
E tá na hora de acordar
Parece a força da maré numa reponta
Parece o rasgo da campina do encantado
Parece o cabo da viola pontiando
Na mesma jura aquele anel dedilha o aço
Levanto o macho e vou cantar pra ilha escura
Vou fazer procura, vou fazer bumbá...
Bumbando o norte no capim
Nas água grande
Nas cores
Da violeta que o sol vem alumiar

Eu canto e o meu tambor de couro
Alucina...

 

15. Nazaré/Zouk da Naza

(Almirzinho Gabriel)

azaré chegou por qui.Já era santa
E aqui já era aqui.No mesmo lugar
Se acocorou pra beber aguá.
A chuva caiu resolveu ficar

Tirou palha, envira, cipó, galinho de pau
Fez uma casinha arrumou
Cozinha e quintal, assou peixe, fez avuado,
Tirou açaí sem nada magoar

Naza, nazarezinha, nazaré rainha,
Nazaré, mãe da terra,
Mãezinha me ajuda a cuidar

 

SACRAMENTA NAZARÉ

 

16. Os Pregões

(Armando Hesketh)

Venha aqui minha freguesa
O jambu tá uma beleza
Tem repolho, alface e chuchu

Olha o cofo, a pescada
Caranguejo e a dourada
Leve dois ao preço de um

Aproveite que está no fim
Aproveite que está no fim

Olha ali o cheiro verde
Acolá não tem mais não
Manga verde, manga rosa
Olha ali, lá vai um ladrão

Olha o rapa vai te prender
Olha o rapa vai te prender

Isso é o Ver-o-peso
E tudo tem por cá
Vida, sonho e medo
Lama, fama, fome, riso e dor
Lama, fama, fome, riso e dor

 

17. Sacramenta Nazaré

(Almirzinho Gabriel)

Égua, essa menina, o que é que ela quer?
Se eu sempre levo ela pra passear
De sacramenta nazaré
A gente se ama e o nosso amor é demais
O lance é que esse bonde
Passa perto de qualquer lugar
Te conheci pegando windsurf na praia
Que nada o nosso amor começou
De nova marambaia
Tem muita gente achando a nossa vida maluca
Eu ando e faço um monte
Pra esse bando de djalma dutra
Se ela não quiser o meu amor pode ir
Eu pego a irmã dela e vou rangar em Icoaraci
Um dia a gente vai do lado bom da cidade
Quem sabe a gente vai de guamá universidade
Às vezes ela pensa que já é minha esposa
Aí pego ela e a gente vai passear de souza
O nosso amor sempre tem que ter muita emoção
Meu bem a gente sai pra passear de jurunas conceição
A sorte é que Belém não tem ladeira nem morro
Que tal se a gente for dar um rolé
De perpétuo socorro
Tem dias que a gente só quer se divertir e aí
A gente sai de bengo, bengo, bengüi
Tem dias que o dinheiro não dá nem pra caranga
Meu bem, a gente se diverte até chupando manga
Nada de cinema, Can, Centur, uma ova
Que tal se a gente for dar um rolé de cidade nova
Vou de carona no teu coração, meu amor
Me safo dando aquela por fora no cobrador
E aí que o cobrador nunca deu toca demais
E a gente tem que usar todo swing e descer por trás

 

18. Doce Veneno

(Nilson Chaves)

Quando eu digo te amo
Falo do céu e das tuas estrelas
Falo da terra, universo, natureza

Quando eu digo te amo
Falo do mar, da floresta, do vento
Falo da seiva, da chuva,
Mormaço, pessoas.

Sou um rio levando as histórias
Da tua beleza
Teu cheiro exala no dengo
Das tuas morenas
Na Braz de Aguiar mora o sonho
Dos homens despidos na Doca
Me toca nos bares da noite
Teu doce veneno

Belém, Belém
(Belém, Belém)
Regue a saudade
Regue a saudade pra mim... (bis)

 

19. Só Voando

(Joãozinho Gomes / Val Milhomem)

Você me sonha sua
E eu apenas suo
Você me acha chama
E eu sou um xamã
Você me quer na cama
E eu entro em coma
Quer me assumir em suma
Mas não sou soma

Você me quer caju
E eu sou um cajá
Você me acha jaca
Enquanto eu tucuju
Você me quer de touca
E eu entro na toca
Quer me beijar a boca
Mas nem me toca

Você me enxerga assim
No entanto eu vôo, eu não ando
E se quiser me seguir
Pra chegar em mim só voando

 

20. Olhando Belém

(Vital Lima)

O sol da manhã rasga o céu da Amazonia
Eu olho Belém da janela do hotel
As aves que passam fazendo uma zona
Mostrando pra mim que a Amazonia sou eu
E tudo é muito lindo
É branco, é negro, é índio
No rio tiete mora a minha verdade
Sou caipira, sede urbana dos matos
Um caipora que nasceu na cidade
Um curupira de gravata e sapatos
Sem nome e sem dinheiro
Sou mais um brasileiro
Olhando Belém enquanto uma canoa desce um rio
E o curumim assiste da canoa um boing riscando o vazio
Eu posso acreditar que ainda dá pra gente viver numa boa
Os rios da minha aldeia são maiores do que os de Fernando Pessoa
(e o sol da manhã rasga o céu da Amazonia)
Olhando os meus olhos de verde e floresta
Sentindo na pele o que disse o poeta
Eu olho o futuro e pergunto pra insônia
Será que o Brasil nunca viu a Amazonia
E vou dormir com isso
Será que é tão difícil

 

21. Amor de Lua

(Vital Lima)

Eu me entreguei às sensações
E havia um inferno em mim
E no coração era como
Se fosse um alfenim
Doido pra se machucar
Só recendia a aniz
E pouco importava
Que fosse de novo infeliz

E na minha imaginação
Tu olhavas para mim
E teus lábios tinham o gosto
E a cor do açaí
Tanta mentira eu criei
Na minha imaginação
Com muitas pegadas
Deixadas por teu coração

Ah! Meu amor de lua
Minha estrela cadente
Balão de são João que arde
E que flutua

 

22. John Crazy

(Amadeu Calvacante, João Gomes)

Aí Jonh Crazy apareceu no show
E de cara tocou Lennon e You Two
E juntou o paletó do chão
O lançou aos cem milhões
Que vivem nus
Jonh Crazy não ficou na dele
Tinha como arma a voz
Jonh Crazy não ficou na dele
Disse que não somos nós
Jonh Crazy ôu ôu ôu ôu ô ô

E com isso ele roubou o show
A guitarra e a multidão
No mesmo som
De repente Jonh caiu no chão
O estampido confundiu-se
Com um carro
Jonh Crazy não ficou na dele
Houve bala contra a voz
Jonh Crazy não ficou na dele
E desacatou o algoz, morreu

Jonh ensinou o que aprendeu
Ninguém é ninguém não, não, não, não
Nada é inútil quando a intenção
Recria o bem

 

23. Cocar

(Adilson Alcântara, Marilia Lidia)

Era senhor soberano da nação
Antes da primeira expedição
Antes da primeira missa bis
Apenas paz e preguiça

Filosofia, somente existir
Sabedoria, o presente aproveitar
E do passado, guardar o conhecer
Futuro, nada a se preocupar

Índio era rei do Brasil
Antes daquele confuso abril bis

Veio o galego com nova lei
Trazendo o negro pra se humilhar
Pôs no cocar do cacique rei
As cores de outro lugar

Filosofia, o presente desistir
Sabedoria, o presente lamentar
E, do passado, lembrar de esquecer
Futuro, tudo a se preocupar

Índio era rei do Brasil
Antes daquele confuso abril bis

 

24. Noite de Paricá

(Paulo André, Ruy Barata)

Chamei o sono veio você
Você na folha do paricá
Pastei nos campos de Oxelê
Deitei na rede do Grão Pará

Pisei a nuvem que não se vê
Vesti o manto de Iemanjá
Fechei o corpo não sei por que
Pedi cachaça com guaraná

E de repente se fez a semente
Em quarto crescente a lua brilhou
Brilhou sobre o lago parado
Recanto encantado num canto de amor

Abri os braços em tantos abraços
Lenços e laços que a noite lançou
Lançou na maré da vazante
Várzeas e ventos na voz que chegou

 

25. Atalaia

(Guilherme Coutinho)

Oh! Vento
Me enche as velas de sonho
Que eu vou partir
Mas vou voltar
Me salga por dentro do corpo
Para eu não esquecer, deste lugar

Atalaia, solitária
Um deserto de sal
Vendaval, espanta o mal
Conserva a côr
Do teu sol no meu corpo
Velejar, preamar, vou voltar

Oh! Vento
Me leva contigo pras dunas
Brilhantes do cais, à beira mar
Não faz maresia atalaia
Senão vou virar e acordar

 

26. Tradução

(Adilson Alcântara)

Nossos
Estranhos sentimentos
Luzes
Demais nessa cidade bis
Assim me foge a inspiração
De traduzir você tão bem

Sou eu que digo nos teus olhos
Viver na solidão bem não sei não
É bem mais fácil ser feliz

Se não me afastasse a louca vontade
De te ver sorrir
Se não me afastasse à toa do tempo
Bons momentos sem saber
Que o som traduz
Só a minha direção

 

27. Flor do Grão Pará

(Chico Sena)

Sim, eu tenho a cara do Pará
O calor do carimbó
O uirapuru que sonha
Sou muito mais,
Eu sou,
Amazônia

Rosa flor vem plantar mangueira
E o cheira_cheira do tacacá
Meu amor ata a baladeira
E balança a beira do rio mar

Belém, Belém acordou a feira
Que é bem na beira do Guajará
Belém, Belém, menina morena
Vem ver-o-peso do meu cantar
Belém, Belém és minha bandeira
És a flor que cheira do Grão Pará

Belém, Belém do Paranatinga
Do bar do parque do bafafá
Bentivi, sabiá, palmeira
Não dá baladeira
Deixa voar

Belém, Belém acordou a feira
Que é bem na beira do Guajará
Belém, Belém, menina morena
Vem ver-o-peso do meu cantar
Belém, Belém és minha bandeira
És a flor que cheira do Grão Pará

 

28. Tudo Que Eu Queria

(Neuber Uchoa)

Tudo que eu agora queria me lembra teus olhos
E desce pela tua boca carnuda
Eu nem preciso dizer dos teus peitinhos durinhos
E teu umbigo no meio do meu paladar

Até parece que eu ia te jantar
Mais embaixo tudo pra sonhar
O meu pedaço preferido
O mundo todo faz sentido

Ah!
Quando acontece todo dia o sol raiar
O mundo todo eu preciso
Tuas pernas vão me achar
E soprar uma nova cantada
Vou subir lentamente
Pra ver você voar

 

29. Estrela da Mata

(Jhore / Mário Mouzinho / Zé Old)

Muy buenas noches, yo voi a cantar
Una canción a Belém do Pará
Quero ver meu bem
De tarde cai a chuva
Pra molhar mangueira, mangueira, mangueira
O verde Ver-o- peso no solar da beira, da beira

O vento traz a chuva pra molhar mangueira
De tarde vem o cheiro
Da tacacazeira, cazeira, cazeira no ar
Quero ver meu bem, yo quiero
Quero ver também, yo quiero
Nas noites de Belém

Porto da Estação, passo da ladeira, Baía do Guajará
A samaumeira
Estrela da mata
Doca distração
Vamos Ver-o- rio e a beira do rio Guamá
Toca a saideira
Estrela da mata

Muy buenas noches, estoy a cantar
Una canción a meu bem do Pará
Quero ver meu bem
Yo quiero mirá, yo quiero
Yo quieropassar, yo quiero
Yo quiero cantar, las noches de Belém


Chopp na Estação, Forte do Castelo, a Feira do açaí
As Onze janelas
Estrela da mata


Muy buenas noches estava a cantar
Una canción a Belém do Pará
Ao meu bem do Pará
E pra quem visitar
Ao meu bem do Pará
E mais quem visitar
Belém, você me dá água na boca

 

30. O Meu Amor É Todo Seu

(Toni Brasil)

Depois de tanto tempo que
A gente não se vê
Redescobri essa paixão
Ardente por você
Agora, o que posso falar pra convencer você voltar pra mim?
Eu te amo e o meu amor é todo seu

Quando uma paixão renasce assim não dá pra controlar
Diga o que você quer de mim
Estou pronto pra te dar

O meu amor, meu amor
O meu amor é todo seu
O meu amor, meu amor
O meu amor é todo seu

 

BAR DO PARQUE

 

31. Maria Fecha a Porta

(Cezar Escócio)

Minha aldeia não é minha aldeia,
Minha língua não é minha língua
Shopping center, punk, piercing,
Nova Iorque é aqui

Diz o anúncio de néon
Globalize-se ou morra de stress
Celular, silicone, transgênico,
Pague tudo no cartão

Ou então, chame o Greenpeace
Saia da tele-contramão
Embarque na tecno-cultura
Ou vá de mula pro interior

O Paraguai é aqui, sos, camelô
Salve o monetário ser
Camisinha para todos,
Abunda o sexo na tv
E então,

Maria, fecha a porta
Tem vírus no meu cobertor
Minha aldeia não é minha aldeia,
Minha língua não é minha língua
Alienígenas, somos nós
Na frente do computador

 

32. Constelação Sentimental

(Jamil Damous, Nilson Chaves)

Constelação sentimental
Meu coração espacial
Nave do tempo, guarda bem dentro
Todos vocês, todo mundo
Todo o mundo bate no fundo do peito
Corre no fundo do leito do rio
De janeiro fevereiro março abril
Todo mês
Todos vocês no céu da memória
Brilha uma estrela, uma história
Dentro de mim
Deserto não, repleto sim
Sentimental constelação
Meu coração tem tanto amor
Quanta saudade invade o espaço interior

Constelação sentimental
Uma canção especial
Leva no vento meu pensamento
A todos vocês, todo mundo
Todo o mundo, toda a felicidade
Toda e qualquer cidade está
No Bar do Parque
Belém Belém Belém, tudo bem
Todos vocês, tantas estrelas
Olhar pro céu é tê-las dentro de mim
Deserto não, repleto sim
Sentimental constelação
Meu coração tem tanto amor
Quanta saudade invade o espaço interior

 

33. Noites com Sol

(Flávio Venturini, Ronaldo Bastos)

Ouvir dizer que são milagres
Noites com sol
Mas hoje eu sei não são miragens
Noites com sol
Posso entender
O que diz a rosa ao rouxinol
Peço um amor que me conceda
Noites com sol

Onde só tem o breu
Vem me trazer o sol
Vem me trazer amor
Pode abrir as janelas
Noites com sol e neblina
Deixa rolar nas retinas
Deixa o sol entrar

Livre serás se não
Te prendem constelações
Então verás que não
Se vendem ilusões

Vem que estou tão só
Vamos fazer amor
Vem me trazer o sol
Vem me livrar do abandono
Meu coração não tem dono
Vem me aquecer nesse outono
Deixa o sol entrar

Podes abrir as janelas
Noites com sol são mais belas
Certas canções são eternas
Deixa o sol entrar... (bis)

 

34. Plural

(Eliakim Rufino)

Tentei por muito tempo
Ser uma pessoa singular
Ter um só caminho, ter um limite
Um só amor, um só lugar
O que eu não queria era ser comum
O que eu não queria era ser normal
Agora não, agora eu sou feliz
Sendo plural
Agora não, agora eu sou feliz
Sendo plural

Fiquei até mais leve, mais natural
Muito mais pra cima, mais alto astral
O que eu não queria era ser comum
O que eu não queria era ser normal
Agora não, agora eu sou feliz
Sendo plural
Agora não, agora eu sou feliz
Sendo plural

 

35. Babe Bay

(David Duarte)

Já que é pra esquecer
É melhor sumir
Babe baby
Se eu conseguir
Já que vai doer
Melhor nem chorar

Pasme, baby
Se eu me encontrar outra vez
Me perder noutra voz
Baby, por tudo
Que é mais cruel
Vou jurar
Vou tentar dormir
Sem pensar em você

 

36. Do Nada Pra Lugar Nenhum

(Guarabira/Sa.)

Lembro de quando tudo era doce
Lembro de quando tudo era vivo
Dentro de dois a força de ser só um
E hoje te vejo assim espantada
Como perdida aí nessa estrada
Que vai do nada pra lugar nenhum

Lembro da gente sempre bem perto
Por um caminho curto e direto
Atravessando os mares
Sem medo algum
E hoje me vejo destino incerto,
No meio desse imenso deserto
Que vai do nada pra lugar nenhum

O que será que existe
Dentro de nós dois
Além daquela vontade
De descobrir a verdade antes de tudo?
O que haverá no muro entre nós dois
Além daquele espaço estranho, escuro e mudo?
Não há tristeza mais dolorida
Do que ter tido tudo na vida
E de repente perceber que é comum
Ser mais uma pessoa enganada
Pelo rumo confuso da estrada
Que vai do nada pra lugar nenhum

 

37. Três Muié

(Edson Martins, Sergio Souto)

Três muié, três disgracera,
Três caboca sarapico,
Eu ví na venda do Dico
Lá in baixo da mangueira

A mais arta, a mais firina
Era um acaba com home
Um dó qui mi consome
Qui us freguês chama Regina

A segunda, a Orgarina
Tinha uns oio de tempestade
Um acaba mucidade
Esse diabo tão franzina

Os seus oio paricia
Dois tição de aruêra
Si queimando a noite intêra
Inté o rompê do dia

Omerinda era a tecera
Dum coipo munto sem jeito
Mas tombem era os seus peitos
Dois mamão macho de fêra

Dois mamão qui coisa lôca
Quando ela passou pur eu
Minha venta estremeceu
Sincheu d´água minha boca

Eu ficava intrapaiado
Prá iscuiê com minha boca
Qual era das treis caboca
Que eu levava pro roçado

Arritirando sem paixão
Das cabocas a mais páxola
Prifirí sem camisola
A dona dos dois mamão... (bis)

 

38. Pérola Azulada

(Joãozinho Gomes, Zé Miguel)

Já aprendi voar dentro de você
Ancorar no espaço ao sentir cansaço
Ossos da jornada

Já aprendi viver como vive nu
Um cacique arara cultivando aurora
Luz de sua tiara

Eu amo você, terra minha amada
Minha oca, meu iglu, minha casa
Eu amo você, pérola azulada
Conta no colar de Deus, pendurada
A bênção, minha mãe

Já aprendi nadar em seu mar azul
Adorar a água, homem, peixe, água
Fonte iluminada

Já aprendi a ser parte de você
Respeitar a vida em sua barriga
Quantos mais vão aprender

Eu amo você...

 

39. Você É Tudo

(Mano Borges)

Você é tudo e muito mais
Tudo e muito mais
O que sou capaz é muito pouco eu sei
Você faz tudo muito bem,
Não se compara a ninguém

Então faça de mim
O seu bem-me-quer
Faça de nós tudo o que quiser
Você faz tudo muito bem,
Não se compara a ninguém

Porque anos atrás
Você tocou meu coração
E me amou, mas aprendi;
Tudo na vida
Tem seu princípio e fim

E se ainda assim
Você quiser, eu vou estar onde estiver
A felicidade é uma janela aberta
À espera de alguém
Que esteja a fim.

 

LUA

 

40. Olhar Cigano

(Marco Andre, Vital Lima)

Três amores são passado
Muita chuva o sol secou
Meu destino está traçado
Mesma lei da flor
Meu olhar brilha cigano
Qual estrela da manhã
Posso dar certo esse ano
Tenho um talismã

Da lua nova faço uma pipa
Papel de seda assim igual meu coração
Porque ele é frágil e a chuva molha
Soltando a cola e o papel na minha mão.

Toda a vida tem seu preço
Ninguém sabe bem o que é
Não defino o meu enredo
Mudo com a maré
Onde houver felicidade
Eu arrumo o coração
Picho os muros da cidade
Com essa ilusão

Da lua nova...

 

41. Recomeçar O Mundo

(Nilson Chaves)

Recomeçar o mundo
Recomeçar a fé
Recomeçar o grito
Recomeçar mulher
Recomeçar o rumo
Recomeçar o sonho
Recomeçar o desejo
Recomeçar o homem

Recomeçar a vida
Recomeçar a vitória
Recomeçar o sentido
Recomeçar a história
Recomeçar o tempo
Recomeçar o caminho
Recomeçar o destino
Recomeçar menino

Recomeçar a glória
Recomeçar a esperança
Recomeçar a justiça
Recomeçar criança
Recomeçar a dor
Recomeçar o prazer
Recomeçar o beijo
Recomeçar bebê

Recomeçar o amor
Recomeçar o afeto
Recomeçar o sossego
Recomeçar o sucesso
Recomeçar o olhar
Recomeçar o apreço .
Recomeçar o silêncio
Recomeçar o começo

 

42. Luz Do Mundo

(Manuel Cordeiro, Roneri)

Eu te encontro em meu caminho
Numa noite de luar
Acendendo o sol da noite
Eu querendo te amar

Pela luz da madrugada
Sinto falta de você
A saudade é dor que marca
Eu preciso de você

Ah! Ah! Amor
Meu amor tá te querendo
A tua vida eu quero ter pra iluminar
Luz do mundo eu te quero
Ah! Ah! Amor
Meu amor tá te querendo
A tua vida eu quero ter pra iluminar
Luz do mundo eu te quero mais

 

43. Olho Nú

(Kleber Albuquerque)


É minha boca
Na boca do escapamento
É minha carne queimada por dentro
São meus os dentes na hora do soco
É minha fome
Na lata de mantimento

É minha casa no olho do furacão
O meu caminho a minha visão
O meu reflexo no aço da bala
A minha falha na sua concepção

Agora é
Olho no olho no olho
Olho no olho no olho
Olho no olho no olho vão

Olho no olho no olho
Olho no olho no olho
Olho no olho no olho são

 

44. Belém, Pará, Brasil 

(Edmar Rocha)

Vão destruir o Ver-o-Peso e construir um shopping center
Vao derrubar o Palacete Pinho pra fazer um condomínio
Coitada da Cidade Velha que foi vendida pra Hollywood
Pra ser usada como um albergue num novo filme do Spielberg

Quem quiser venha ver
Mas só um de cada vez
Não queremos nossos jacarés
Tropeçando em vocês

A culpa é da mentalidade
Criada sobre a região
Por que que tanta gente teme?
Norte não é com M
Nossos índios não comem ninguém
Agora é so hambúrguer
Por que ninguém nos leva a sério?
Só o nosso minério?

Quem quiser venha ver
Mas só um de cada vez
Não queremos nossos jacarés
Tropeçando em vocês

Aqui a gente toma guaraná quando não tem Coca-Cola
Chega das coisas da terra que o que é bom vem lá de fora
Transformados até a alma sem cultura e opinião
O Nortista só queria fazer parte da nação
Ah, chega de malfeituras
Ah, chega de triste rima
Devolvam a nossa cultura
Queremos o Norte lá em cima
Porque, onde já se viu?
Isso é Belém
Isso é Pará
Isso é Brasil